quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Foi

Foi-se o tempo onde a imaturidade prevalecia.
Onde as festas eram constantes e o dia seguinte tolerável.
Onde se suportava a madrugada como hoje se suporta a responsabilidade.

Foram-se as brincadeiras sem graça.
Foram-se – ao menos momentaneamente – as cervejas geladas e inconseqüentes.
Foi-se o “ficar” sem compromisso.
O dia vago e indeciso.

A tarde sonolenta.
A tarde com seção da tarde.
A tarde após o almoço.
Preciso descansar.

Foram-se também os trucos.
O cigarrinho e o carro que quebrou.
O computador que deu pau.
E a gráfica que atrasou.

Foram-se as agendas.
Agendas cheias de confissões. Darão lugar à outra.
Foram-se canetas cor de rosa.
E foram-se branquinhos.

Foram-se os momentos de poesia, música e dúvidas.
De textos maravilhosos e conversas em pé de ouvido.
Foram-se os dias chuvosos cheios de contemplação e sonhos.
Dias ensolarados cheios de alegria e desejos.

Momentos bonitos. Lindos, é verdade.
Mas simplesmente momentos.
... que passam. Chamam-se momentos
Saudades. Momentos deixam. E muitas.

Carregam experiências.
Medos, dúvidas e desilusões. Dores e conquistas.
Conduzem verdades... as vezes, mentiras.
Transportam emoções, desabafos e vitórias.

Ah, saudades.
Deixaram, cada um de nós, no passado.
Agora, de fato, já estamos lá.
Imóveis, congelados. Uma simples fotografia.

De parque aquático, de impressora, de farmácia e programas de computador.
De salgadinho, medicamento para gado, transportadora aérea e pneu.
Uma simples fotografia de energético, produtos para limpeza, academia de ginástica e flores.
De cosmético, alimentos para crianças, carros e defensivos agrícolas.

Uma simples fotografia.
Ok, talvez não tão simples assim.
Há,  ou houve... muito labor e suor em cada uma delas.
Há, nas fotos, muita emoção e energia. Vocês estão lá

Uma foto é simplesmente um retrato do passado que o presente não nos deixa esquecer.
Um momento de vida que está sempre presente. Vivo.
Que não apaga.
É, e sempre será.

Um momento estático do que um dia fomos.
Do que um dia sonhamos.
Do que um dia pensamos no futuro
Do que um dia imaginamos com seria hoje.

Uma linda foto. Que está aqui... agora.
Pronta, emoldurada.
Brilhante e reluzente.
Que não se apague.

E que não estanque.
A hora é de transformação.
Deixemos as fotos lá. Como boas lembranças.
E vamos fazer novas.

Hoje, no momento que tirarmos os pés desta sala, teremos somente uma lembrança – um presente em forma de foto.
FOI.
O novo chegou. Um novo posicionamento faz-se necessário.

Eu mudei. E vocês? HORA DE PENSAR.

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