quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Língua, Palavra e Poesia; Poesia, Língua e Palavra; Palavra, Língua e Poesia...


LÍNGUA, PALAVRA E POESIA.
POESIA, LÍNGUA E PALAVRA.
PALAVRA, LÍNGUA E POESIA.
POESIA, PALAVRA E LÍNGUA.
LÍNGUA, POESIA E PALAVRA.
PALAVRA, POESIA E LÍNGUA.

Órgão, instrumento e sentimento.
Alma, ferramenta e forma.
Expressão, palavra e amor.
Ilusão, verbete e beijo.
Início, frustração e articulação.
Frase, ... e voz.

Já não sinto. Falo.
Já não falo, escrevo.
Uso da palavra a ferramenta
Para expressar meu sentimento.

Já não penso, toco.
Já não olho, sinto.
Faço da língua um objeto
Pra fazer valer meu desejo.

Não mais me expresso. Calo.
Nem mesmo sou.
Uso o sentimento como arma.
Tento ser o que não fui.

Nem mesmo articulo. Liberto.
Não me prendo.
Uso a palavra como fuga.
Engano frustrações.

Não mais amo. Penso.
Racionalizo. Não amo.
Uso a tentativa.
Tento amar o que não amo.

Tento o amor.
Amo a tentativa
De tentar o que já fui.

Realizo, pondero. Me engano.
Já fui. Já era.
Tento a palavra.
Tento a poesia.
Tento a língua.

Tento o som para expressar palavra.
Tento a língua para amar.
Tento o amor para ser.
Tento.

Tento combinar, existir.
Há vontade de ir e vir.
Vontade de sorrir.
Escrever para existir.

Palavrear poesias.
Linguajar sons.
Sonorizar palavras.

Há Poesia em tudo o que falo.
Palavras em tudo que penso.
Pensamentos em tudo o que escrevo.

Há tudo.
Há nada.
Nada que escrevo flui.
Nada que penso acalma.
Nada que amo resiste.

Tudo o que falo jaz.
Tudo o que amo escapa.
Tudo o que é palavra morre.
Tudo o que é língua silencia.

Palavras.
Poesias.
Línguas.
Completam-se.
Unem-se.
Mesclam-se.

A mim se unem.
Em mim se completam.
A mim se comunicam.
Em mim dialogam.
A mim se amam.
Em mim casam.

Palavra e língua.
Filha poesia.
Poesia e palavra.
Filha língua.
Poesia e língua.
Filha palavra.

Nasce amor, alma e ilusão.
Voz, beijo e início.
Nasce instrumento, forma e expressão.

Compreensão.
Compreendo-me agora.
Agora já sou.
Não fui nem era.
Sou. Simplesmente.
Agora, presente.

Envolto por palavras, línguas e poesias.
... que moldam.
Poetizam-me. Falam-me. Escrevem-me.

Sou poesia. Sou palavra. Sou língua.
Sou eu!
Sem poesia, palavra ou língua... nada seria.

Indiferença


Cadê teu olhar?
Teu toque.
Teu carinho.
Cadê teu beijo?
Seu andar.
Seu brilho.
Indiferente.
Indiferente beijo. Existiu?
Indiferente olhar. Existiu?
Indiferente andar. Existiu?
O carinho. O toque.
Existiram?
Os olhos do indiferente… viram?
Os olhos viram a indiferença?
Não. Não viram nada.
Amaram!
Amaram a indiferença.
É lógico?
Não.
Assim como a indiferença.

Foi

Foi-se o tempo onde a imaturidade prevalecia.
Onde as festas eram constantes e o dia seguinte tolerável.
Onde se suportava a madrugada como hoje se suporta a responsabilidade.

Foram-se as brincadeiras sem graça.
Foram-se – ao menos momentaneamente – as cervejas geladas e inconseqüentes.
Foi-se o “ficar” sem compromisso.
O dia vago e indeciso.

A tarde sonolenta.
A tarde com seção da tarde.
A tarde após o almoço.
Preciso descansar.

Foram-se também os trucos.
O cigarrinho e o carro que quebrou.
O computador que deu pau.
E a gráfica que atrasou.

Foram-se as agendas.
Agendas cheias de confissões. Darão lugar à outra.
Foram-se canetas cor de rosa.
E foram-se branquinhos.

Foram-se os momentos de poesia, música e dúvidas.
De textos maravilhosos e conversas em pé de ouvido.
Foram-se os dias chuvosos cheios de contemplação e sonhos.
Dias ensolarados cheios de alegria e desejos.

Momentos bonitos. Lindos, é verdade.
Mas simplesmente momentos.
... que passam. Chamam-se momentos
Saudades. Momentos deixam. E muitas.

Carregam experiências.
Medos, dúvidas e desilusões. Dores e conquistas.
Conduzem verdades... as vezes, mentiras.
Transportam emoções, desabafos e vitórias.

Ah, saudades.
Deixaram, cada um de nós, no passado.
Agora, de fato, já estamos lá.
Imóveis, congelados. Uma simples fotografia.

De parque aquático, de impressora, de farmácia e programas de computador.
De salgadinho, medicamento para gado, transportadora aérea e pneu.
Uma simples fotografia de energético, produtos para limpeza, academia de ginástica e flores.
De cosmético, alimentos para crianças, carros e defensivos agrícolas.

Uma simples fotografia.
Ok, talvez não tão simples assim.
Há,  ou houve... muito labor e suor em cada uma delas.
Há, nas fotos, muita emoção e energia. Vocês estão lá

Uma foto é simplesmente um retrato do passado que o presente não nos deixa esquecer.
Um momento de vida que está sempre presente. Vivo.
Que não apaga.
É, e sempre será.

Um momento estático do que um dia fomos.
Do que um dia sonhamos.
Do que um dia pensamos no futuro
Do que um dia imaginamos com seria hoje.

Uma linda foto. Que está aqui... agora.
Pronta, emoldurada.
Brilhante e reluzente.
Que não se apague.

E que não estanque.
A hora é de transformação.
Deixemos as fotos lá. Como boas lembranças.
E vamos fazer novas.

Hoje, no momento que tirarmos os pés desta sala, teremos somente uma lembrança – um presente em forma de foto.
FOI.
O novo chegou. Um novo posicionamento faz-se necessário.

Eu mudei. E vocês? HORA DE PENSAR.

Eu Vi


Eu vi

Eu vi uma semana de muito trabalho.
Vi gente stressada, tensa e nervosa.
Vi gente chorando.
Vi gente ansiosa, agoniada, desesperada.
Vi gente confiante.
Vi gente sorrindo, cantando, dançando.
Vi gente falando.

Vi os apresentadores.
Cada um no seu estilo.
Eu os vi simples, tímidos, estilosos.
Eu os vi dando shows.

Vi as apresentações.
Vi problemas.
E vi soluções

Vi microfones não funcionarem.
Vi vídeos darem errado
Vi locuções imperfeitas.
Vi mãos tremendo. Suando.
Vi gente tentando.
Buscando.
Arriscando.

Eu vi, e vivi a banca.
Vi profissionais competentes
Vi profissional sério.
Alguns mais descontraídos.
Os vi participantes.
Educativos.
Críticos.

Vi o grupo se defendendo.
Vi o grupo nervoso.
Vi o grupo pensando:
“O que este cara ta falando”.
Vi postura.
Vi educação.
Vi compreensão.


Vi também, famílias tímidas.
Famílias sentadas e apreensivas.
Vi famílias torcendo.
Rezando
Por que não, também, chorando.
Vi expectativa.
E finalmente vi... sorrisos.
Vi abraços calorosos (daqueles que só mães e pais sabem dar)
Vi beijos... carinho... perdão.
Vi amor.

Eu Vi sonhos.
Sonhos realizados.
Vi montanhas. Não mais virgens.
Vi montanhas escaladas.
Vi florestas. Matas. Matas antes virgens.
Agora desbravadas.
Vi o mar. O oceano.
Vi seu infinito.
Se tornando fato.

Vi crianças.
Que se tornaram adolescentes.
Adolescentes.
Que se tornaram adultos
Adultos que se tornaram alunos.
Novamente, crianças.
Vi alunos.
Vi alunos que estão aqui hoje.
Ainda, alunos.
Alunos profissionais.
Que serão sempre alunos aos olhos do professor.
Como um filho sempre é um filho aos olhos de um pai

Parabéns.

Obrigado.

(Discurso de final de Semestre, antes da apresentação dos Projetos de Conclusão de Curso - Unip - Campinas, 1998)

E que venha 2007


E que venha 2007.
E que venham muitas praias, muitas ondas.
E que venha casa na praia.
E casa na Barra.
E casa no Rio.
Que venha a casa no morro.
E que venha muito sol.
E muitos protetores solares, por que não?
E muito guarda sol.
E que venham as noites estreladas. Os dias frios...
Que venha Campos do Jordão.
E muito vinho. Dos bons.
E que venham as cervejas, geladas, trincando, chorando.
E que venham Ahhhhhhsss.
E que venham Skols, Brahmas, Antarcticas...
Desculpem, mas não quero Novas.
E que venham os esportes. As corridas, as caminhadas, as pedaladas.
As noites na academia.
Mas que venham também os joelhos, os cotovelos...
As juntas.
E que venha o cálcio.
Para agüentar a vida... e também as festas.
De aniversário, de inauguração, de felicidade.
Que venham as Raves.
Por que aqui, TEM GENTE FELIZ.
Que venha a música eletrônica.
Mas que venha também o rock, o rock nacional.
Viva o cinema nacional
E que venha a música popular brasileira.
E que venham Chicos, Danielas, Marisas, Zecas e Zélias.
Que venha o Samba e também o Carnaval.
Mas não só isso.
Que venham também os estudos, por que é preciso progredir.
Que venha o novo cargo, e com ele a nova responsabilidade;
E que venha o novo salário.
Que venham os bares mais legais de São Paulo.
E também os restaurantes.
E que sejam um pouco mais baratos.
Que venham as artes. As dos dois tipos.
A primeira, que enobrece, encanta, ensina.
A segunda que faz relaxar. Dar risada.
Que venha a risada entre os amigos.
Que venham os novos amigos.
E que voltem os velhos.
E que venha a saudade.
A brincadeira, o sorriso maroto.
A gargalhada engraçada.
O soluço de tanto rir.
Que venha o olhar sereno, mas encantador.
O olhar assertivo. O piscar de olhos.
Que venha o olhar.
E com ele, a felicidade. A alegria. A diversão...

Que venha tudo de bom.


QUE VENHA 2007.
Estamos esperando
Felizes, é claro.

Distância e Sonhos

Distância.
Onde?
Onde está? Aonde vai? Onde fica?
Como ir? Como voltar? Ficar... estar.

Não me lembro de estar tão perto estando tão longe.
Onde o além reside aparecem os sonhos.
Mas não são reais. Estão longe demais.
Quais?

Quais os sonhos que estão longe?
A distância aproxima os sonhos. Ou não?
Quanto temos que sonhar para alcança-los?
A distância do sonhos é diretamente proporcional à vontade de alcança-lo.

Será que a distância é física? Ou mental.
O sonho, mental que é, torna-se uma distância a ser percorrida.
Jamais física.
Sonha-se um sonho e tenta-se alcança-lo. Mas não sonhando.

Percorrendo.
Correndo
Andando.
Até mesmo... sonhando.

Sonhos são intrinsecamente distantes.
Assim os são. É da natureza deles.
Estão longe. Muitas vezes além de estradas e caminhos.
Mas é preciso ir atrás deles.

Um dia tornam-se realidade.
As vezes momentânea.
Momentânea realidade.
Assim ela é. Fugaz. Mas real.

E a realidade tornou-se um sonho. Momentâneo.
E o sonho concretizou-se.
Talvez por um momento.
Será que foi sonho? Ou realidade?

Não importa. Concretizou-se.

Dia 11 de Setembro, revisitado

11 de Setembro. Um marco na história mundial.
Dia em que as torres caíram. Gêmeas.
Irmãs. Mortas.
Enterradas.

11 de Setembro.
Há um ano.
Dia em que todos grudamos os olhos na TV e acompanhamos o cinema “ao vivo”. O espetáculo sem efeitos.
Dia em que ficamos conhecendo o Afeganistão.
O Al Quaeda. O Bin Laden.

Dia em que aprendemos que podíamos viajar com facas, canivetes e tesouras.
Dia em que Nova Iorque mudou. Acinzentou-se. Escureceu.
Dia em que o mundo perdeu uma paisagem.
E que os Americanos ganharam um mártir.

Dia em que aprendemos como se evacuar um prédio.
Dia em que aprendemos como bombeiros são importantes, e valorizados, respeitados... E sentidos, chorados.

Há um ano descobrimos que o Antrax existe.
Que mata e que pode ser fabricado. E que pode ser enviado pelo correio. E que deixa todo mundo neurótico.

Aprendemos que aço derrete (por melhor que seja) e que aviões são poderosos. Que levam gente e carregam mercadoria TAMBÉM.
Mas podem ser perigosos. Uma arma. Uma arma que derrete aço.
Aprendemos que aprendemos com os Japoneses.

Descobrimos que o mundo é frágil.
Que somos vulneráveis.
E que não há quem não seja.

Observamos a crueldade. A maldade.
Vimos o fanatismo. A religião.
Vimos o mundo árabe, os muçulmanos, os judeus.
Os afegãos, os “paquis”, os israelenses.
Vimos o Iraque.
Vemos o Iraque. Sadam.

No dia 11 fugimos. Corremos.
Suamos, trememos, choramos.
Abrimos a boca.
Vimos famílias mutiladas. Filhos tristes.
Mães sós. Mães fortes.
Pais abestalhados, hipnotizados.
Vimos patrões desolados.
Empresas acabadas.

Vimos dinheiro voando.
Muito dinheiro. Vimos ameaçada a supremacia financeira.
Vimos depois o poderio bélico. O poderio aéreo e terrestre.
Vimos o poder da negociação. Unilateral ocidental.
Eficiente.

11 de setembro foi um dia em que vimos muita coisa. Pensamos muita coisa e paramos para pensar outras coisas.
Paramos para lembrar de ter memória.
Paramos para lembrar de não esquecer.

Vimos tudo.
Vimos nada.
Vimos perdas e vimos vazio. Vimos depois ganhos. Ganhamos memória.
Já perdemos.
Toninho foi morto.
E aí. Quem lembra?
Foi no mesmo 11 de Setembro.

Deixei de Amar

Estou feliz.
Deixei de amar.
Amei? Sim. Muito. Demais.
Amei como a onda ama o mar.
Como a espuma ama a onda.
Como a água.
Como a água ama a vida.
O planeta. O todo.
O incompleto. O infinito. O impossível
Amei o impossível.
Possível foi.
Deixou de ser.
Tornou-se possível. Finito. Completo.
O profundo se tornou raso.
A onda se tornou marasmo.
O mar se tornou lago.
O amor se tornou nada.
Indiferente. Real. Possível.
Vácuo.
Sinto-me infeliz agora.
Infeliz por viver no vácuo da felicidade
Infeliz por estar feliz.
Deixei de amar.