terça-feira, 5 de abril de 2011

Razão


Razão de ser.
De não ser.
Não tenho razão de não ser.
Não posso querer não ser.
À parte disso, sou tudo.
Sou Eu.
Tu, eles, nós, vós, eles.
Sou verbo. Sou ação. Tesão.
Sou vida. Energia.
Transmito. Vivo.
Sou.
Com ou sem razão.

Percepção e Realidade

Percepção é Realidade?
Aos olhos de quem percebeu, sim.
O que o consumidor percebe influencia como vai se comportar, agir, enfim, comprar ou não determinado produto.
E em comunicação, como também em outros aspectos da vida, tudo gira em torno da percepção.
Tomemos o futebol como exemplo: Penaltis.
Quando são? Quando não são? Uma eterna discussão.
Novamente, uma simples questão de percepção.
O Juíz, percebendo o lance como penalti, aponta a marca, para a infelicidade do infrator. Em não percebendo a infração, infelicidade para a vítima.
Enfim, tudo questão de percepções.
Pessoas bebem cerveja (não sei realmente se devo adentrar este território).

Passado e Saudades

O passado deixa saudades enquanto passado.
E, enquanto passado, deve ficar lá.
Trazê-lo ao presente seria como negar a essência da saudade.
Não posso fazê-lo.

O 14o. FEST UP


Festival de propaganda.
Festival de propaganda para universitários.
Festival.
Segundo nosso novo e – por quê não dizer – fantástico ‘dicionário da língua portuguesa’ HOUAISS, festival quer dizer “relativo a ou próprio de festa; festivo/que tem aparência, modo, forma de festa/em que há alegria, prazer; aprazível, afável, jucundo/que gosta de festa, de alegria.”
Propaganda.
Para nós, alunos, professores, intelectuais da área ou simplesmente interessados pelo assunto, uma “quase-arte” onde se brinca com a imaginação da pessoa – seja ela a emissora ou a receptora -, se instiga, se mexe, cria dúvidas, certezas, emoções (tristes ou alegres), estimula comportamentos e também diverte. Afinal de contas, quem nunca comentou sobre uma propaganda em uma mesa de bar e depois continuou conversando sobre o assunto por pelo menos mais uma hora?
O festival de propaganda é portanto uma grande experiência publicitária completa. Ou seja, algo “relativo a festa, que tem aparência de festa e onde há alegria e prazer ligados a emoções, dúvidas e certezas e aprendizados que geram comportamentos os mais diversos, sejam eles ligados a compra e consumo de produtos ou não.
Este ano teremos o 14o. festup. Mas farei um relato do que senti e escrevi após o 13o.
Eis o que aconteceu: milhares de alunos aprendendo a “quase-arte” publicitária. Vivendo a publicidade em sua totalidade. Comendo propaganda. Cheirando anúncios. Pisando spots de rádio e jingles. Ouvindo plenejamentos. Tocando mídia. Dormindo novas tecnologias. Bebendo criação. Sentido atendimento. Percebendo produção. Ou seja, usando de todos os sentidos – já sentidos há algum tempo por publicitários mais arrojados – para aprender um pouco da arte.
O local onde se aprendeu esta arte chama-se “FAAP”, uma grande faculdade de São Paulo onde o festival acontece desde sua primeira versão. Tudo é preparado cuidadosamente: as salas são divididas por cores e tamanhos e os palestrantes designados para os locais correspondentes, tudo previamente determinado e muito bem planejado.
Os organizadores então, aguardam os alunos para um ‘agitado’ final de semana. Palestras e mais palestras… intermináveis para alguns. O período do almoço é curto e para os desavisados uma ótima oportunidade para se perder uma bela palestra.
O rítmo é intenso. Não há espaço para descanso.
O volume de informações é tamanho que alunos vindos de um festup bem aproveitado sentem-se mais confortáveis e seguros em uma sala de aula: participam mais, sabem mais e questionam mais. Ganham moral e já se sentem bem melhor para enfrentar o mercado.
As palestras são ministradas em sua maioria pelos mais capacitados e experientes profissionais do mercado. Vêm das maiores e melhores agências de São Paulo (pólo publicitário do país), e atendem os maiores e mais ricos clientes do Brasil.
Pergunto: dá para estar em contato com tais ‘figuras’ e ignorar o aprendizado? Nem querendo.
Ele vem por osmose. Vai entrando na cabeça como que por hipnose. As vezes de forma cômica, as vezes de forma séria e as vezes de forma chata. Não importa. O potencial para o aprendizado está lá, pairando no ar. E é só respirar para sentí-lo. E a maioria o fez.
Respirou.
Viu no evento uma grande oportunidade de agregar valor ao conhecimento. De compreender que a superficialidade é inimiga da sabedoria. De entender que aprender é fácil, gostoso e, muitas vezes, divertido.

Ano passado fui agraciado com a constatação de que alguns alunos e ex-alunos estariam indo.
Fui junto e aproveitei junto a eles. Percebi o quanto gostaram, aprenderam e, certamente aproveitaram.
Aproveitaram a festa, o festival, o aprendizado, a diversão. Enfim, o FESTUP.

Tati, Vivi, Concon, Fran, profa. Célia, entre outros (cujo nome infelizmente me escapa da memória no momento), são testemunhas vivas do que aconteceu ano passado.
Certamente voltarão.
Eu voltarei. Essa é minha sugestão.

No Escuro

 Vinte por cento mais escuro.
Ou vinte por cento menos claro.
Talvez vinte por cento mais pobres.
Ou vinte por cento menos ricos.
Vinte por cento mais econômicos.
Vinte por cento mais conscientes. Organizados.
Ou vinte por cento mais irritados. Inconformados. Indignados.
Eis o número do momento: vinte.
E a sigla do momento: por cento.
A combinação: falta de luz.
Século 21.
Falta de luz.
Irônico. Talvez.
Realidade. Também talvez.
Percepção. Sim.
A ironia consiste no fato de sermos um grande país em desenvolvimento com falta de luz. Um país quase desenvolvido, com aproximadamente 150 milhões de habitantes, exportador de laranja para grande parte do mundo, que tem um dos melhores cafés do planeta, é tetracampeão mundial de futebol, gera milhões de empregos e atrai investimentos estrangeiros cada vez mais pesados, tem problemas energéticos.
Como podemos desenvolver sem energia?
Ou melhor, economizando energia?
Imaginemos uma criança “em desenvolvimento”:
-       Olha, vamos dar só um pouquinho de leite para ela. Está muito caro. Temos que economizar. É para o bem da família.
-       Não acho uma boa idéia. Acredito que se deixarmos o bebê sem comida durante 12 horas por dia, assim conseguimos mais economia.
-       Meu bem. Precisamos economizar energia.
-       Já sei. Vamos dar bastante água para ele. Água, água... muita água.
-       Ah! Podemos também economizar nas frutas e verduras... e na carne. Assim vai sobrar bastante energia. Podemos até vender o que sobrar.
Irônico, não!
Uma economia “em crescimento” é como uma criança em crescimento.
Crescimento. Desenvolvimento.
Crescimento. Uso de energia.
Força. Motivação.
Queima de calorias. Impulso. Vontade.
Um carro. Potência máxima.
Queima de combustível.
Troca de pneus. Aceleração.
Vôo.
Um avião.
Turbinas ligadas. Barulho.
Arranque. Vigor.
Um trator.
Torque. Força. Produção.
Produção gerando produção.
Produção gerando alimento.
Alimento gerando força.
Força.
Força, sinônimo de energia.
Energia que gera.
Energia que não gera.
É gerada. Não mais. Acabou.
Esta é a realidade. A fonte da energia secou. Quer seja verdade ou não. A fonte secou. E quando a fonte seca, o que se deve fazer é economizar até que o mau momento passe. É isso que a população brasileira deverá fazer nos próximos meses: economizar.
Até quando?
Oras, até quando S. Pedro disser que sim.
Passando seu mau humor, teremos a bendita fonte novamente cheia de água. E estando cheia, cheios de energia novamente estaremos.
A produção de energia? Tudo sob controle.
O problema é a falta d’água.
Infra-estrutura? Sem problemas.
O problema é a falta d’água.
Investimentos no segmento? Tudo na mais perfeita ordem.
O problema é a falta d’água.
- Vamos lá S. Pedro. Não nos deixe na mão.
Esta é a realidade. Irônica, porém real.
É assim, pelo menos, a forma que a percebemos.
Percebemos o problema.
Percebemos a realidade.
A realidade é um problema.
A percepção é um problema.
Aos olhos de quem percebe, a percepção não passa de uma simples realidade. Assim percebida.
Precisamos economizar, senão ficaremos no escuro.
No escuro e pobres.
Ficar no escuro não é bom.
Nem ser pobre.
É assim que percebemos a escuridão.
Uma péssima percepção.
Os caras que estavam roubando vão continuar roubando.
Só que no escuro.

Minha Primeira Vez


Minha primeira troca de fralda.
Não me lembro.
Minha mãe, provavelmente, lembra-se.
Meu pai, nem pensar. Naquele tempo, homens não trocavam fraldas.
Minha primeira bronca.
Talvez não tenha gostado. Mas provavelmente tenha valido. Provavelmente tenha chorado, gritado, esperneado. Aprendi.
Minha primeira refeição – aquela na cadeirinha, tão utilizada por publicitários em todo o mundo. Fiz muita sujeira. Não que me lembre, mas sou lembrado constantemente. Uma luta. O pai ou a mãe tentando fazer com que o filho ou a filha coma aquela papinha que, acredito eu, deva ser realmente muito ruim.
Meu primeiro banho. Devo ter gostado, e muito. Afinal de contas, os primeiros nove meses de vida se deram na água. A cada banho, portanto, matava minhas saudades de um tempo calmo e tranqüilo, onde tinha segurança e conforto. Ah, como era bom.
Meu primeiro passo. Acredito que minha primeira grande vitória. Andar. Que coisa linda. Poder chegar ao infinito. Subir em cadeiras, trepar nas prateleiras. Quebrar tudo o que se vê pela frente. Os antigos vasos da mamãe, por exemplo. Aí, novamente, a bronca. O lado ruim de se aprender a andar.
A primeira escola. Quanto sofrimento. Desespero. Pela segunda vez na vida, meu cordão umbilical foi cortado. Fui tirado novamente do conforto onde estava inserido. Da minha casa. Do meu lar. Quando estava começando a me acostumar com minha nova residência, tiraram-me de lá e me colocaram-me num ambiente díspar e cheio de gente que nunca tinha visto antes. Professores, coordenadores, garotos, garotas. Quanto medo.
Minha primeira professora. Shirlei. Bonita. Loira.
É só o que me lembro.
Meu primeiro beijo. Não gostei. Foi lá em Auriflama, com uma menina, lembro-me, de questionável reputação. Um lábio tocando o meu. O que poderia fazer. Todos os meus amiguinhos beijando sem parar e dizendo como era bom. Tive que tentar. Mas com a pessoa errada. Mau começo.
Meu primeiro emprego. Na verdade, um estágio. Trabalhava com um tal de “Jesus”, se bem me lembro. Também não gostei muito. Não tinha muito valor. Digo, eu. Eu não tinha muito valor. Era usado. Faça isso! Faça aquilo! Compre aquele outro! Respeitem-me. Respeitem minha idéias, era o que pregava dia e noite na tentativa de ser alguém. Na tentativa de ser visto como alguém.
O primeiro emprego foi o meu próprio emprego. Montei uma agência de publicidade. Ainda existe. Não estou mais lá.
Meu primeiro amor. Nunca esqueci.
Meu primeiro texto. “Serpentes de Asfalto” foi o título. Adorei. Foi publicado por um grande jornal do estado. Lembro-me que essa fase mostrou-me, a mim mesmo, o espírito crítico que se desenvolvia. Questionava tudo. Queria mudanças. Queria atitudes. Ainda quero.
Minha primeira vez.
Minha primeira vez num jornal Nacional. Ou melhor, na Gazeta Mercantil.
Mais uma primeira vez numa nova fase.
Uma nova fase que, novamente, é uma primeira vez.
Todas as fases são aprendizados, como também as primeiras vezes o são.
Aqui estou eu.
Novamente aprendendo.
Desde a fralda, aprendendo.
E, depois de bem velhinho, cansado e enrugado, continuarei aprendendo.
Como da primeira vez.
A primeira vez não acaba nunca. Nem que queiramos.

A Emoção faz parte da Formação


O que aconteceu ano passado foi emoção.
Foi formação.
Foi D +. Com a letra D e o sinal de +.
Foi jovem, mas foi responsável.
Foi louco mas foi legal.
Legal D +.

Idéias geniais sendo descartadas de última hora.
Culpa do posicionamento.
Idéias tolas transformando-se possibilidades.
Parabéns ao posicionamento.

Parabéns a MIDIA.
Parabéns a criação, a produção de RTV, ao Português...
... ainda que o tenham maltratado... e MUITO.
Parabéns a Direção de Arte, a Redação, a Promoção de Vendas.
Parabéns ao Planejamento.

Foi muita emoção.
Quem me viu chegar na USINA ROYAL no dia da entrega dos prêmios sabe do que estou falando.
Subi ao palco como um louco. Tb. vi a cara da Lara.
O Roni me ergueu e eu ergui o braço.
Foi como ganhar um Oscar.
Eu era só sorrisos.

Gente. Os professores aqui na UNIP brigam por vocês.
Digo, BRIGAM. Quebram o Pau. Argumentam como advogados fanáticos querendo vencer uma causa.
E comem PIZZA. É bonito de ver.
As discussões, é claro.

E também os momentos de emoção:

Um rejunte ganhando o PREX junto aos profissionais.
Um jingle da Coopertone levantando o auditório.
Uma apresentação do Poupa Tempo com louvor... e engraçadíssima.
Um tênis indo a SP com uma campanha totalmente non sense.
Um caminhão da Mercedez que vai vender.

É. Tem coisa que realmente só o PREX faz com você.
Acima de todas, te forma. E te emociona. 

Texto que virou discurso na formatura da turma de 2004 - Unip

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