quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Selva Pavimentada

Nêm ônibus, nem trêm bala, avião, F1 ou ônibus espacial.
Talvez nem mesmo os potentes e perigosos Dragsters americanos coloquem em risco a vida de pessoas inocentes da mesma forma como as nossas são colocadas quando sentamos à frente de um volante, e nos metemos a encarar mais uma estrada brasileira.
É simplesmente inconcebível estradas em tais condições.
 
Inconcebível já é o estado de pequenas e "pouco movimentadas" estradas que, como se não tivessem nenhuma importância, são simplesmente esquecidas, abandonadas. Sem placas, sinalização, acostamento e muitíssimo mal iluminadas, elas, as "pouco movimentadas" (durante o inverno) se transformam em verdadeiras serpentes prontas para dar o bote; sem maldade, sem piedade... simplesmente por serem fruto de um relaxo, de uma indisciplina, de um irresponsabilidade por parte de seu criador.
Criador este, ináceitável como tal, quando passamos de pouco movimentadas à extraordinariamente vilentas.

RodoviaMogi-DutraImage via Wikipedia
São as Dutras, as Brs da vida.
Pior que serpentes, são a própria selva. Selvagem  como quem as habita, como quem as frequenta.
Estou falando de uma selva rodoviária, pavimentada, onde nem o mais forte, o maior ou o mais rápido sobrevive. Todos estão expostos, suscetíveis a um final abrupto, cruel e indecente. Um final que assusta, apavora... faz pensar.
Estou assustado, apavorado e penso em como cheguei vivo a Campinas, vindo da 'Cidade Maravilhosa', após 7 horas de viagem pela serpende Dutra, no último dia 03, a noite, chovendo, e forte.
Talvez tivesse sido melhor ter vindo de trêm bala, avião, ou até mesmo um ônibus... espacial, é claro.
Mas vivo, e sem precisar ter tido sorte para isso.
(1996)

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