Por quê?
Por quê Santos Dumont?
Dez mil, vinte mil, trinta mil mortos? Talvez mais. Talvez milhões. Talvez o mundo todo esteja morrendo? Não.
Estou sendo otimista. O mundo já morreu.
As pessoas já morreram. Nada sobra.
Nem dinheiro, nem nada.
Nem alma, nem amor, nem perdão.
Nem choro, nem alegria, nem tristeza.
Nem tristeza?
O que é, afinal, tristeza? Que benefícios traz a tristeza?
Estou triste. E daí!?
Salvei alguma coisa. Melhorei algo?
Fiz meus alunos pensarem? Escreverem?
Questionarem? Entristecerem?
Qual o propósito?
Fazer um mundo melhor. Como?
O mundo é um triste trem viajando descontroladamente rumo a um triste infinito definido por um destino também triste.
Ah…
Não cabe a nós, no momento, questionarmos a culpa (já bastante discutida durante a guerra fria e explorada com veemência no filme “The day after”)
Ou acharmos culpados?
Por quê?
A culpa é de termos nascidos.
O ser humano é intrinscicamente mau, desonesto, ruim, maldoso e irresponsável. É cruel, selvagem.
É assassino por natureza.
Sábio Oliver Stone.
Assassinos por natureza. É o que somos. Assassinos. Ou melhor, Deuses.
Se mata-se um homem, é um assassino.
Se mata-se muitos, é um conquistador.
Se mata-se todos, é um Deus.
Eis o que somos.
Por terra, água ou mar… Deuses.
Quem disse que não podemos tirar a vida de outras pessoas?
Deus?
Onde estás, todo poderoso?
Sabes o que faz?
Como? Quando? Onde?
Será que um dia teremos respostas?
Você as dará?
De que forma? Vulcões, vendavais, terremotos? Terrorismo?
É certo que nos deu capacidade para pensar. E pensamos, criamos, desenvolvemos, estudamos, pesquisamos, lemos, escrevemos… conquistamos… e matamos.
Pensar para matar. Eis a sinopse do livro da vida. Ou melhor, pensar para matar e/ou morrer.
Não é assim que tudo acaba mesmo?
Por que então acelerar todo o processo?
A vida tem ritmo. Tem tempo. Tem naturalidade.
Ela, per se, não é stress. Não tem stress. Não deveria gerar stress.
Mas gera.
Homem branco stressado.
Louco.
Malditos brancos. Humanos. Negros. Pardos. Coloridos.
Malditos eus.
Faço sim parte desta corja.
Trabalho para ter dinheiro. Tenho dinheiro e compro muito. Então, trabalho para ter mais e comprar muito mais. Mais que meu vizinho, meus amigos, meus parentes. Preciso ter mais, mais, mais. Estou frenético. Louco. Só uma quantidade maior de sei lá o que me interessa. A quantidade é o objetivo. Mais, maior, muito…
O mais me salvará.
Dêem-me mais pelo amor de Deus!!
Pai nosso que estais no céu.
Voando.
Santos Dummont.
Por que?
Por que inventaste esta merda que desde a 1a. guerra vem enchendo nosso saco e matando tanta gente?
Voar é sonhar
É tirar os pés do chão e experimentar o mundo sensorial.
É fechar os olhos e sentir os espaços, tocar objetos desconhecidos imaginando-os lindos, ver coisas nunca antes imaginadas, cheirar lugares novos, ouvir cantos sublimes.
Voar, viajar, sonhar.
Mas não se sonha pois sonhos não levam a lugar nenhum. Objetivos são precisos.
Voa-se. Bestamente. De avião.
Viaja-se também. Sem sonho, sem brilho. Sem tesão.
Tesão. Morrendo.
Voando. Matando.
Daí vem o verdadeiro prazer.
Santos Dumont sabia disso.
Grande Deus.
(uma reflexão, na época, sobre o ocorrido)
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